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Levantamento: 18% dos registros est√£o concentrados em dez bairros da Capital

"A violência doméstica está pulverizada e em todas as camadas sociais", diz delegada

Por DA REDAÇÃO em 03/05/2021 às 09:54:43

Dez bairros de Cuiab√° concentram 18,5 % das ocorr√™ncias de viol√™ncia doméstica atendidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher da Capital (Dedm) durante o ano passado. Os dados est√£o reunidos no 4o Anu√°rio Estat√≠stico 2020 da unidade divulgado nesta √ļltima sexta-feira pela Pol√≠cia Civil. O documento organizado pela delegacia especializada traz o perfil socioeconômico das v√≠timas atendidas, assim como dos agressores, com base nas informa√ß√Ķes coletadas pela equipe de atendimento.

Os bairros com maior n√ļmero absoluto de registros s√£o o Pedra 90, com 75 registros, seguido pelo Dom Aquino (45); Dr. F√°bio e Tijucal (38); CPA 4 (37); Jardim Imperial; Santa Isabel; CPA 3; Centro Sul e Boa Esperan√ßa.

A delegada titular da DEDM Cuiab√°, Jozirlethe Magalh√£es Criveletto explica que embora os dez bairros citados concentrem a maior parte das ocorr√™ncias, h√° registros de viol√™ncia doméstica na maioria da cidade. "Isso n√£o significa que n√£o tenha havido ocorr√™ncias em outros bairros que n√£o aparecem nas estat√≠sticas. A viol√™ncia doméstica est√° pulverizada e em todas as camadas sociais", explica.

Perfil das vítimas

Em rela√ß√£o ao perfil das v√≠timas atendidas pela DEDM durante o ano passado, o anu√°rio traz informa√ß√Ķes como declara√ß√£o da cor, estado civil, faixa et√°ria, escolaridade, profiss√£o, se tem filhos e v√≠nculo com o agressor.

A maioria das mulheres que busca o atendimento da DEDM est√° na faixa de idade entre 35 e 45 anos e se declara parda. O estado civil é solteira, o que representa aproximadamente 37% do total de v√≠timas atendidas. S√£o mulheres jovens, que buscam aux√≠lio para sair do ciclo da viol√™ncia e muitas vezes necessitam de uma ocupa√ß√£o com rendimento financeiro para conseguir superar a situa√ß√£o violenta.

A Delegacia da Mulher n√£o é apenas o lugar onde a mulher agredida, submetida a abusos e viol√™ncia de todas as formas procura atendimento para a repress√£o ao crime sofrido. É o lugar onde elas buscam acolhimento e amparo para recome√ßar. "A delegacia também procura trabalhar a√ß√Ķes que possam auxiliar as v√≠timas nesse sentido, mas é fundamental que a rede de acolhimento, com todos os órg√£os, funcione amplamente", pontua a delegada.

A escolaridade declarada pelas mulheres atendidas pela delegacia é de ensino médio completo, concentrando 41,6% de registros. J√° mulheres com ensino superior alcan√ßou o percentual de 25,3% de registros. Somando os dois percentuais ao de v√≠timas que informaram ter o ensino superior incompleto, o total é de 67% das v√≠timas que possuem, no m√≠nimo, o ensino médio enquanto apenas 1,8% das v√≠timas se declararam n√£o alfabetizadas.

A titular da DEDM observa que mesmo que a maioria tenha uma capacitação mínima que pode buscar uma oportunidade de trabalho, há que se entender o que está por trás e impede essa mulher de buscar a independência financeira.

Em rela√ß√£o à ocupa√ß√£o, 8,2% das v√≠timas atendidas pela DEDM em 2020 n√£o informou a profi¬≠ss√£o na ocasi√£o do registro e 11,4% das v√≠timas se declararam do lar. Um percentual de 5,6% se declarou autônoma e 19,6% definiram a ocupa√ß√£o em categorias secund√°rias.

"S√£o muitas mulheres que necessitam de assist√™ncia para buscar uma reprograma√ß√£o e recome√ßo de sua vida, sem depender economicamente do ex-parceiro. E muitas s√£o submetidas a situa√ß√Ķes como: "meu marido n√£o me deixa trabalhar. Quando eu era solteira, trabalhava"", pontua Jozirlethe.

A mulher entra em um ciclo de viol√™ncia que muitas vezes ela n√£o percebe, pois n√£o h√° a agress√£o f√≠sica. Mas a agress√£o moral e psicológica est√° presente no dia a dia e a mulher também é colocada como a respons√°vel pela educa√ß√£o dos filhos e cuidados com a casa. "Até que ponto essa mulher deseja isso? Ela passa a acreditar que a vida dela é apenas aquilo, entra em um ciclo de abuso moral e psicológico, que a v√≠tima muitas vezes n√£o consegue enxergar como viol√™ncia. E o companheiro a faz acreditar que a n√£o precisa e nem deve trabalhar", comenta a delegada.

Fonte: DA REDAÇÃO

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